O Irmãozinho

Microconto Inabitual
A mãe de avental. Louça brilhando. Consciência limpa de mulher. A mão pequenina puxa a saia. Tetê, ainda de pijama, faz um pedido: “quero um irmãozinho.” Só o que faltava. O pai, no trabalho. Recebe a ligação da mulher. “Ah, macaquice dele, logo esquece disso.” Não esqueceu. Aproveitava qualquer momento para pedir um irmão, todos os meninos da escola tinham um, por que não ele? E se fosse mulherzinha? Sem problema, queria companhia de outra criança, fazia birra. Assim foram meses de apoquentação.
Do nada, a mãe apareceu grávida. “De tanto encher o saco ele conseguiu”, dizia o pai. Até que gostaram da notícia, apesar de vir mais uma boca para alimentar. O jovenzinho dava pulos de alegria, berrava para toda a vizinhança que ia ter um maninho para brincar, nem precisava sentir mais inveja dos outros meninos. Os nove meses passaram voando, para Tetê foi uma vida inteira. Uma correria dos infernos quando a bolsa estourou, o pai acelerou mais que tudo, uma amiga ligou para o médico do pré-natal.
Em três dias, a mãe saiu do hospital com o novo filho no braço. Um varão. Tetê queria pegá-lo no colo, logo foi repreendido. Deu um barquinho de plástico a Lulu. Quando crescesse mais um pouco poderiam brincar de pirata no clube. Não demorou muito para que Tetê ficasse enciumado com o irmão, Lulu merecia dedicação exclusiva, comida na boca, colinho de mãe e pai, denguinho de qualquer pessoa. No segundo mês, Tetê apareceu novamente debaixo da saia da mãe: “pode devolver o Lulu, eu prefiro um cachorrinho.”

4 comentários:

Múcio L Góes disse...

hehehe... mto bom!

Abraço!

Milla Loureiro disse...

huahuahauha

coisas gostosas de se ler!

Edilson Pantoja disse...

Alô, Antônio! Conheço um pouco dessa história.
Abraço!

diovvani mendonça disse...

Muitas sutilezas, em seu conto. Acredito, que a intenção engravida! Se não bebês, no mínimo sonhos e vontade de vida. O ciúme, nos acompanha mesmo, desde tenra idade. ^^^Abraço^^^